Orientação sexual e identidade de gênero

(escrito por Beth Fernandes)

Refletir sobre temas e ou fenômenos pertencentes às orientações afetivas sexuais e as identidades de gêneros possibilita abrir alternativas de relação do ser humano com o mundo. E o mundo sem fronteiras ou com muros. Essa crítica é feita no sentido de entendermos ou no mínimo reaprendermos sobre determinados temas, o que nos levaria talvez a alguma mudança de pensamento. E para que aconteçam essas mudanças temos que sair da estagnação, e uma das alternativas para que isto ocorra está na formação, comunicação e educação. Quando ouvimos que brasileiros LGBT sofrem preconceitos na migração pensamos que estamos necessitando de informações seguras sobre temas relativas à sexualidade em nossa sociedade hoje e que não está sendo codificado ao atendimento ao migrante. Pensar migrações sexuais e as migrações LGBT é pluralizar o humano e que está em trânsito. E só assim podemos pensar quais são as respostas sexuais masculinas e femininas dentro da sociedade moderna. As informações podem contribuir efetivamente na luta contra o preconceito e a discriminação sofrida por alguns segmentos populacionais, pois são estes preconceitos e discriminações cometidos contra LGBT que aumentam as desigualdades relativas às questões sociais. Sair de seu país não é fácil, mas sair de seu país para sofrer preconceito em outro país é muito pior. Aqui se solidifica a tese da migração LGBT e o adjetivo que precisar ser vencido do “vagabundear”.  Os estereótipos de vagabundagem da população LGBT inviabiliza as condições de direitos humanos. A mobilidade humana pensada com o marcador da sexualidade pode descaracterizar os estereótipos dessa população e a prostituição. O temor do “ativista político” no movimento social é se o futuro profissional ao sair da universidade tende a acreditar que existam categorias superiores e inferiores. E se assim for esse pensamento de que as categorias de negros, de mulheres lésbicas e ou de mulheres transexuais são categorias inferiores, as faculdades e os professores e as informações terão falhado no princípio básico da ética e do respeito humano. Talvez os pesquisadores se sintam provocados a começar a orientar trabalhos aos futuros profissionais para descobrir “em campo” o que é a vivência migratória do LGBT. E como acontecem essas vivencias em condições migratórias. Quando investigamos sobre sexualidades, orientação afetiva – sexual e identidade de gênero percebemos que a maioria mal sabe diferenciar sobre o que seja heterossexualidade, homossexualidade e bissexualidade. Estes não conseguem “definir” ou “conceituar” sujeitos pelo seu desejo e ou pela sua atração sexual e muito menos pela prática sexual. E tudo piora quando temos que discutir e refletir sobre Identidades de Gêneros que é o caso dos segmentos de travestis e transexuais dentro de uma perspectiva socializada, não dentro da psicopatologia. A reflexão sobre este tema diante de questões da psicopatologia fica mais fácil, pois dentro de alguns estudos estes conseguem “enquadrar” e “rotular” determinados seres em suas “doenças”. Mas quando partimos para discussões sobre gênero, violências, desigualdades de gênero e as questões sociais, migrações e tráfico de pessoas muitos destes não sabem dar sentido para a teoria aprendida nas universidades. E tudo piora quando falamos de migrações sexuais e a população LGBT. Iremos então passo a passo conceituar termo e expressões. E o que é expressão de gênero? É o modo como cada indivíduo se expressa no mundo. São roupas, linguagem, voz, estilo, comportamento características socialmente associadas ao universo feminino ou masculino. Ser feminino e ser masculino são expressões no mundo. E não pode ser confundido com orientação afetivo sexual que a grosso modo chamaremos de Orientação sexual que é como se caracteriza o desejo sexual predominante de uma pessoa — se é por pessoa de gênero diferente, igual ou de mais de um gênero que são chamados de pessoas heterossexuais, homossexuais e bissexuais. E não confunda também a orientação sexual (heterossexual, homossexual, bissexual) com a identidade de gênero. Em linhas gerais, os heterossexuais sentem desejo por pessoas de sexo diferente, enquanto homossexuais por pessoas do mesmo sexo. Ou seja, um homem “trans” ou uma mulher “trans” pode sim ser heterossexual. Mas antes de pensarmos desejo sexual vamos nos envolver mais nas questões de gênero como: Agênero é aquele que tem identidade de gênero neutra, ou seja, não têm um gênero. Cisgênero é o indivíduo que se apresenta ao mundo e se identifica com o seu gênero biológico. Exemplo deste se foi considerada do sexo feminino ao nascer, usa nome feminino e se identifica como uma pessoa deste gênero, esta é uma mulher “cis”. CISGÊNERO pessoa que se identifica com o gênero igual ao do sexo de nascimento.

Então reforçaremos que as diferenciar que orientação afetiva sexual está ligada ao desejo e à atração sexual, podendo as pessoas ser: heterossexual, bissexual ou homossexual. Heterossexuais são aqueles indivíduos com atração afetiva e sexual por pessoas de sexo diferente do seu. Bissexuais são indivíduos que se relacionam sexual e/ou afetivamente com pessoas do sexo masculino e feminino. Homossexuais são aqueles indivíduos que tem orientação sexual e afetiva por pessoas do mesmo sexo. Gays: são indivíduos que, além de se relacionarem afetiva e sexualmente com pessoas do mesmo sexo, têm um estilo de vida de acordo com essa sua preferência, vivendo abertamente sua sexualidade. Já Lésbicas tem uma terminologia utilizada para designar a homossexualidade feminina.

“A orientação sexual é a atração afetivo-sexual por alguém. Assexual: pessoa que não sente atração sexual por pessoas de qualquer gênero. Bissexual: pessoa que se atrai afetivo sexualmente por pessoas de qualquer gênero. Heterossexual: pessoa que se atrai afetivo sexualmente por pessoas de gênero diferente daquele com o qual se identifica. Homossexual: pessoa que se atrai afetivo-sexualmente por pessoas de gênero igual àquele com o qual se identifica”. JESUS, Jaqueline Gomes.

Já a Identidade de Gênero está ligada ao fato de como as pessoas se sentem se comportam e/ou se relacionam.

A expressão de gênero é a forma como a pessoa se apresenta, sua aparência e seu comportamento, de acordo com expectativas sociais de aparência e comportamento de um determinado gênero. Depende da cultura em que a pessoa vive. Identidade de gênero é o gênero com o qual uma pessoa se identifica que pode ou não concordar com o sexo que lhe foi designado ao nascer. Papel de gênero é o modo de agir em determinadas situações conforme gênero atribuído e ensinado desde o nascimento. Construção sociocultural “de diferenças entre homens e mulheres.” JESUS, Jaqueline Gomes.

De forma simplificada (e não simplista) e, principalmente, conceitual, podemos dizer que Gênero é um conceito que explica os comportamentos de mulheres e de homens em nossa sociedade e como estes comportamentos podem identificar os sentimentos internalizados (masculinos e femininos) das pessoas. Gênero define como as pessoas se sentem, e essas pessoas, “homens e mulheres”, podem culturalmente se sentirem masculinas e ou femininas. Com isso, essas pessoas podem desempenhar papéis de gêneros masculinos e ou femininos, independentemente do sexo anatômico biológico, e os papéis de gênero ultrapassam a maneira de “sentir-se” do indivíduo, levando as pessoas a se comportarem socialmente como masculinas e ou femininas. As pessoas se sentem masculinas e ou femininas independentes de seu sexo anatômico, e desempenham papeis de gêneros masculinos e femininos independentes da imposição social. E por último, conceituamos o significado da orientação afetiva sexual e utilizamos a palavra – afetiva – porque as pessoas, além de atraírem e terem desejo sexual, também se ama. E com a inclusão da palavra “afetiva” na terminologia orientação sexual pode-se diferenciar o que muitos estudiosos pensam sobre orientação sexual e educação sexual. As pessoas desejam outras pessoas sexualmente, mas como seres humanos têm uma “ordem” afetiva para esse desejo. Mas em relação ao gênero (masculino e feminino) existem pessoas que se sentem masculinas e femininas e ao mesmo tempo, o que chamamos de gênero “misto” em outras teorias poderiam ser o não-binário que é um dos muitos termos usados para descrever pessoas cuja identidade de gênero não é nem inteiramente masculina nem inteiramente feminina. Os indivíduos que são não binários podem usar outros termos também como o agênero, queer, ou genderqueer, ou seja, ora se sentem se comportam e expressam-se de maneira masculina, ora se sentem e se expressam de maneira feminina. Existem humanos outrora inimagináveis e vamos continuar a falar de alguns destes seres humanos. ANDRÓGENOS- a androginia não é uma doença e não tem relação com a orientação sexual. O termo “andrógeno” refere-se àquele ou àquela que tem características físicas e comportamentais de ambos os sexos, sejam elas masculinas (andro) ou femininas (gyne). Dessa forma, pode ser difícil definir o gênero apenas pela sua aparência física. AGÊNERO que já citamos e reforçaremos por questões conceituais são pessoa que não se identifica ou não se sente pertencente a nenhum gênero. CROSS-DRESSER: são homens que esporadicamente usam roupas, maquiagem e acessórios culturalmente associados às mulheres. Tais homens se identificam como heterossexuais, geralmente não tem o desejo de mudar o sexo ou viver o tempo todo como mulher. TRANSFORMISTA, termo este da década de 60, são estes indivíduos que se vestem com “outras” roupas, com roupas do gênero oposto movido por questões artísticas. Já os TRANSGÊNEROS são termos genéricos que vale para qualquer pessoa que se identifique com um gênero diferente ao do sexo de nascimento. Como exemplo, as transexuais e travestis. As TRANSEXUAIS são pessoas que nascem com o sexo biológico diferente do gênero com que se reconhecem. Essas pessoas desejam ser reconhecidas pelo gênero com o qual se identificam, sendo que o que determina se a pessoa é transexual é sua identidade, e não qualquer processo cirúrgico. Existem tanto homens trans quanto mulheres trans. MULHER TRANS é a pessoa do gênero feminino, embora tenha sido designada como pertencente ao sexo/gênero masculino ao nascer. Muitas fazem uso de hormonioterapias, aplicações de silicone e/ou cirurgias plásticas, porém vale ressaltar que isso não é regra para todas. HOMEM TRANS são pessoas do gênero masculino, embora tenha sido designada como pertencente ao sexo/gênero feminino ao nascer. Muitos fazem uso de hormonioterapias e cirurgias plásticas, porém vale ressaltar que isso não é regra para todos. As pessoas TRAVESTIS têm uma construção de gênero feminino oposta ao sexo designado no nascimento, seguido de uma construção física, que se identifica na vida social, familiar, cultural e interpessoal através dessa identidade. Muitas modificam seus corpos por meio de hormonioterapias, aplicações de silicone industriais e/ou cirurgias plásticas, porém vale ressaltar que isso não é regra para todas. O termo ou melhor o artigo correto é “A” travesti. Já o Gênero “fluido” são pessoas que se identificam com aspectos sociais de mais de um gênero em momentos diversos de suas vidas. Ou seja, na prática, o indivíduo pode se sentir mulher em algum momento, homem em outro ou até “flutuar” por outras identidades de gênero, como agênero. Já a palavra Transgênero este é um termo “guarda-chuva”. Ou seja, ele abrange todas as pessoas que não se identificam com o gênero que lhes foi designado ao nascer.

No entanto, entre a comunidade trans é possível encontrar ainda as diferenciações das identidades como” transexuais” e “travesti”. Ambos os termos podem designar pessoas transgênero, mas nem toda pessoa transgênero se sente confortável ao ser tratada por estes nomes. E a psicopatologia reforça condições de normalidade e anormalidade sobre os seres e quando estudamos a Despatologização da identidade trans e utilizamos campanhas no intuito de despatologizar os seres é para desmitifica-los como doenças; percebemos que a ideia de conceituação é mais por esclarecimento do que para nomeá-las. Exemplo deste podem ser as travestis e as transexuais já citadas e que não se assemelham aos Crossdressers. Um indivíduo crossdresser é aquele que se veste com roupas associadas, socialmente, a um gênero diferente do seu. A prática não tem em nada a ver com a orientação sexual. E existe uma confusão destes com as transformistas e com as travestis e na psicopatologia muitas veze nomeado como pessoas fetichistas. E quando ainda se fala de Drag Queen que é diferente do anterior, já este termo caracteriza uma expressão artística. Normalmente, ele é associado aos homens que usam roupas do gênero feminino para uma performance. Também existem drag kings, mulheres que se vestem com roupas socialmente associadas à expressão de gênero masculina. Como essas expressões são variadas tudo pode parecer confuso e muito misturado, talvez aí se tenha tanta alteração das letrinhas o que alguns vulgarmente chamam de “sopinha de letras”.  A ideia do conceito é visibilizar os seres, mas não deixando de reforçar que no movimento social e a luta apresenta na construção de cidadania as margens da sociedade dita normal. Hoje no Brasil utilizam se as letras LGBT e algumas vezes a intervenção do I (Intersexo) que forma o LGBTI. No Brasil incialmente as siglas foram GLS-Gays, Lésbicas e Simpatizantes. Depois GLBT- Gays, Lésbicas, Bissexuais e Travestis e com esforço do movimento social aparecem junto ao “T “as transexuais. Não como forças antagônicas da luta das travestis, mas como nomeação de seres diferentes e não discordantes. Só mais tarde na Conferência Nacional aparece as siglas na ordem LGBT. Muitas das discussões aparecem na condição binária do ser masculino e feminino no mundo. No princípio de uma identidade genital (macho e fêmea) depois uma identidade de gênero (masculino e feminino). Mas também aparecem aqueles que não se identificam com este binarismo dos seres ser macho ou ser fêmea na sociedade de ser masculino ou feminino em construção social. Não-binário é um termo associado a pessoas cuja identidade ou expressão de gênero não se limita às categorias “masculino” ou “feminino”. Algumas pessoas não binárias podem sentir que seu gênero está “em algum lugar entre homem e mulher”, ou até podem definir seu gênero de maneira totalmente diferente destes dois polos binários. Uma pessoa não-binária também pode se apresentar como “genderqueer” ou afirmar que tem identidade de gênero “não-conformista”. Já as pessoas intersexuais que pronunciamos anteriormente são seres humanos com qualquer variação de caracteres sexuais incluindo cromossomosgônadas e / ou órgãos genitais que dificultam a identificação de um indivíduo como totalmente feminino ou masculino. Essa variação pode envolver ambiguidade genital, combinações de fatores genéticos e aparência e variações cromossômicas sexuais diferentes de XX para mulher e XY para homem. Ou outras características de dimorfismo sexual como aspecto da face, voz, membros, pelos e formato de partes do corpo entre outros.

Mas é este processo de transformação para adequação dos corpos ao gênero que incomoda a sociedade e algumas pessoas, causando as discriminações que marginaliza as pessoas, excluindo-as das relações sociais. A educação é a instituição que mais expulsa estes seres da escola e do convívio social, por causa da transformação destes seres. E são estes os profissionais que mais podem contribuir para diminuir a intolerância e os preconceitos com essas pessoas e por falta de entendimento não fazem e não ajudam diminuir o preconceito.

Quando pensamos em uma sociedade preconceituosa e hipócrita não conseguimos imaginar o que é ser uma pessoa LGBT “dentro” dessa sociedade. Muitos estudiosos não respeitam as vivências deste segmento, reforçando os estereótipos A migração sexual LGBT sofre pela ausência de conhecimento. O preconceito e os estigmas é o que provoca inúmeras violências e marca as condições de vida dessa população. A carência de informações e de conhecimentos sobre estas pessoas é a principal causa de violência e que aumenta a intolerância a este segmento neste caminhar. As informações trazidas pelo movimento social podem esclarecer a vivência destas populações diminuindo os estigmas e consequentemente diminuindo as violências. Algumas dessas violências não só alimenta as desigualdades como reforça a condição marginal do indivíduo. Agressividade gerando agressividade. Temos que combater as violências e não as incentivar. Uma sociedade harmônica é aquela que preza o respeito pelo outro, qualquer que ele seja. Contudo, essa harmonia só pode ser construída pela elaboração minuciosa de um conjunto de proposições que subsidiem políticas públicas de assistência a essas pessoas no âmbito, principalmente, da Saúde e da Educação. Os efeitos de “gênero”, ou mesmo de “corpos”, entendidos em suas “subjetividades”, também promovem o respeito às diferenças e a dignidade humana. Uma sociedade harmônica é aquela que respeita o outro, já um profissional harmônico é aquele que respeita a forma espontânea de desenvolvimento do ser humano, conseguindo lidar com as diferenças que se faz peculiar em cada um. Para que possamos construir essa harmonia temos que elaborar um conjunto de proposições que subsidiem políticas públicas de assistência a esses segmentos populacionais no âmbito da saúde e da educação. A resistência ao novo é nossa principal inimiga como educadores, pois é ela que não permite compreender o valor das relações afetivas, e a importância da expressão sexual que envolve o corpo. É essa resistência que nos ameaça em nossas certezas conceituais sobre o que é vida e ser humano. Estes seres no caminhar e na fronteira são marcados pela não compreensão e pouca aceitação do diferente.

Introdução

Temos muitos brasileiros LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) no exterior e temos registrado ocorrências de episódios por falta de informação em diversos países. Esses brasileiros são muitas vezes jovens e com pouca informação a residir no exterior. …..

LGBTs no Mundo

As estimativas do número de brasileiros no exterior feitas pelo Itamaraty buscam levar em conta vários fatores como: dados oficiais fornecidos por autoridades migratórias locais; censos oficiais; número de eleitores registrados na jurisdição; número de  ….

LGBT Suíça

A ILGA International Lesbian and Gay Association – Associação Internacional de Lésbicas e Gays produz todos os anos uma avaliação da situação legal das comunidades LGBT em países membros das Nações Unidas. A tabela abaixo mostra a situação da Suíça no relatório da ….

Confira antes de ir!

A Associação Internacional de Lésbicas e Gays “ILGA – International Lesbian and Gay Association”, www.ilga.org produz um relatório anual sobre os países que protegem e reconhecem os direitos dos membros da comunidade …..